C- DEMONSTRAÇÃO DA SÃ DOUTRINA
Capitulo- 3
Aqui Paulo discute a vida piedosa, a qual, ele declara, deveria ser inspirada no exemplo de nossa própria indignidade que foi tratada por Deus com bondade e amor. Ele esclarece (v.8) que a intenção da doutrina cristã é que os crentes demonstrem as boas obras . A graça de Deus é a raiz; as boas obras são o fruto.
Em primeiro lugar Paulo enfatiza as virtudes e obrigações públicas.
Relação com o mundo incrédulo.
Vs.1-11
V.1- ...sujeitem aos que governam, às autoridades. É significativo Paulo escrever para os crentes serem obedientes às autoridades, quando sabemos quanta crueldade foi praticada contra os crentes, pelos governantes daquela época.
V.2- não difamem...dando provas de cortesia, para com todos os homens. As virtudes relacionadas são iguais às que foram ordenadas anteriormente, mas aqui é o nosso trato para com os incrédulos.
V.3- Nós também. Paulo jamais se esqueceu do que foi antes, e isto o levava a ter compaixão dos perdidos. Aqui ele dá uma classe de virtudes negativas as quais nós também praticávamos antes de conhecer a Cristo.
V.4- ...se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, a morte de Cristo demonstra a benignidade e o amor de Deus para com os homens
V.5- não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia ele nos salvou. Não temos nenhum mérito em nossa salvação para nos julgar-mos melhores do que os incrédulos. Fica assim eliminada toda e qualquer obra; não só as que foram praticadas pela justiça própria dos homens perdidos, como também as obras praticadas em verdadeira justiça. (Coloca por terra a doutrina do kardecismo da salvação pelas boas obras) mediante o lavar regenerador e renovador do Espirito Santo.
Regenerador e renovador. Duas ações do Espirito Santo na obra de salvação. Regenerar, tornar a gerar; restaurar; reabilitar; recuperar; revivificar; reconstruir. Renovar, tornar novo; recomeçar; melhorar; consertar; reparar; tornar a fazer.
Contraponde-se a todas as obras está a misericórdia livre de Deus, exibida na obra do Espirito Santo.
Lavar ...regenerador e renovador. O Espirito Santo nos renova em regeneração. Estas ideias estão intimamente ligadas entre si como a expressão dupla de uma só obra do Espirito.
V.6- derramou sobre nós. O simbolismo da água tem sido frequentemente usado em relação ao Espirito. O Espirito é dado através de Jesus (Jo.4:7,37). Abundantemente, Ricamente. O Espirito é verdadeira riqueza, visto que é o penhor (sobre penhor ver, ) de nossa herança, a fonte e o criador de todas as bênçãos.
V.7- A fim de que, dá o resultado do dom do Espirito: para que. sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.
ESPIRITO SANTO
O Espírito Santo No Velho Testamento.
1)- A personalidade e a divindade do Espírito Santo aparecem nos atributos que lhe são peculiares e em suas obras.
2)- Ele foi revelado participando da obra da criação e, portanto, é onipotente (Gn. 1:2; Jó 26:13; 33:4; Sl. 104:30); onipresente (Sl.139:7); luta com os homens (Gn.6:3); ilumina (Jó 32:8); concede capacidade construtiva (Êx.28:3; 31:3); dá força física (Jz.14:6,19), capacidade executiva e sabedoria (Jz. 3:10; 6:34; 11:29; 13:25); capacita os homens a receber e anunciar revelações divinas (Nm.11:25; 2Sm. 23:2); e, de maneira geral, dá poder aos servos de Deus (Sl. 51:12; Jl.2:28; Mq.3:8; Zc.4:6).
3)- Ele é chamado santo (Sl. 51:11); bom (Sl. 143:10; o Espírito de justiça e purificador (Is. 4:4); o Espírito do Senhor, de sabedoria, de entendimento, de conselho, de poder, de conhecimento, do temor do SENHOR (Is. 11:2), e de graça e súplicas (Zc.12:10).
4)- No V.T. o Espírito Santo age em livre soberania, vindo sobre os homens e até mesmo sobre um animal estúpido quando deseja; não há condições estabelecidas (como no N.T.) que devam ser seguidas a fim de receber-se o Espírito. A habitação do Espírito em cada crente é uma bênção do N.T. consequente à morte e ressurreição de Cristo (Jo. 7:39; 16:7; At. 2:33; Gl. 3:1-6). E
5)- o V.T. contém predições de um derramamento futuro do Espírito sobre Israel (Ez. 37:14; 39:29), e sobre toda a carne (Jl. 2:28,29). A expectativa de Israel, portanto, é dupla – da vinda do Messias-Emanuel, e desse derramamento do Espírito que os profetas descreveram.
O ESPÍRITO SANTO NO NOVO TESTAMENTO.
1)- O Espírito Santo é revelado como uma Pessoa divina. Isto ficou expressamente declarado (por exemplo, Jo.14:16,17,26; 15:26; 16:7-15; comp. Mt.28:19), e implícito em toda a parte.
2)- A revelação referente a Ele é progressiva: a) V.T. Ele vem sobre quem Ele quer, aparentemente sem referência a seu modo de vida.
b) Durante a Sua vida na terra Cristo ensinou os Seus discípulos (Lc.11:13) que eles poderiam receber o Espírito orando ao Pai.
c) No final do Seu ministério, Ele prometeu que Ele mesmo oraria ao Pai e que em resposta à Sua oração viria o Consolador a fim de permanecer (Jo.14:16,17).
d) Na noite da Sua ressurreição, Ele encontrou-se com os discípulos no cenáculo e soprou sobre eles, dizendo: Recebeu o Espírito Santo (Jo. 20:22), mas os instruiu que esperassem antes de começar o ministério deles, até que, o Espírito viesse sobre eles (Lc. 24:49; At.1:8).
e) No dia de Pentecostes, o Espírito veio sobre todo o grupo de crentes (At.2:1-4).
f) Depois do Pentecostes, o Espírito foi concedido àqueles que creram, em alguns casos pela imposição de mãos (At.8:17; 9:17). E
g) com a experiência de Pedro na conversão de Cornélio (At. 10), tornou-se claro que o padrão para esta dispensação era que judeus e gentios fossem salvos em precisamente as mesmas condições, e o Espírito Santo seria dado sem delongas àqueles que atendessem à única condição essencial de confiar em Cristo (At. 10:44: 11:15-18). Este é o fato permanente para toda a Dispensação da Igreja. Cada crente é nascido do Espírito(Jo.3:3-6; 1Jo.5:1); habitado pelo Espírito, cuja presença torna o corpo do crente em um templo 1Co.6:19; comp. Rm.8:9-15; Gl.4:6; 1Jo. 2:27); e batizado com o Espírito (1Co. 12:12,13; 1Jo.2:20,27), selando-o assim para Deus (Ef.1:13; 4:30).
3) O N.T. distingue entre ter o Espírito, que é uma verdade para todos os crentes, e estar cheio do espírito, que é privilégio e dever do cristão (comp. At. 2:4 com 4:29-31; Ef.1:13-14 com 5:18). Há um batismo com o Espírito, mas muitos enchimento com o Espírito.
4) O Espírito Santo está relacionado com Cristo em Sua concepção (Mt. 1:18-20; Lc.1:35), em Seu batismo (Mt. 3:16; Mc. 1:10: Lc. 3:22; Jo.1:32,33), em sua vida e serviço (Lc.4:1,14), em Sua ressurreição (Rm.8:11) e como Sua testemunha através desta dispensação (Jo.15:26: 16:8-11, 13,14).
5) O Espírito forma a Igreja (Mt. 16:18; Hb.12:23) batizando todos os crentes no corpo de Cristo (1Co.12:12,13; comp. com a saudação universal de 1Co.1:1,2); concede dons para o serviço a cada membro desse corpo (1Co.12:7-11; 27-30); guia os membros em ser serviço (At. 16:6,7); e Ele é o poder para esse serviço (At. 1Co.2:4).
6) O Espírito habita em um grupo de crentes, fazendo deles, corporativamente um templo (1Co.3:16,17).
7) Cristo indica um relacionamento pessoal triplo do Espírito com o crente: COM, EM, e SOBRE (Jo.14:16,17; 1Co.6:19; At.1:8).
COM- Indica a aproximação de Deus junto à alma, convencendo do pecado (Jo.16,19), apresentando Cristo como o objeto da fé (Jo.16:14); concedendo fé (Ef.2:8) e regeneração (Mc.1:8; Jo.1:33).
EM- descreve a presença permanente do Espírito no corpo do cristão (1Co.6:19) para lhe dar vitória cobre a carne (Rm.8:2-4; Gl. 5:16,17), cria o caráter cristão (1Co.6:19), ajuda nas enfermidades (Rm.8:26), inspira a oração (Ef.6:18), dá acesso consciente a Deus (Ef. 2:18), atualiza a filiação do cristão (Gl.4:6), aplica as Escrituras na purificação e santificação (Ef.5:26, 2Ts.2:13; 1Pd.1:2), conforta e intercede (At. 9:31; Rm.8:26) e revela Cristo (Jo. 16:14).
SOBRE- é usado no relacionamento do Espírito Santo com o Senhor Jesus Cristo (Mt. 3:16; Mc.1:10; Lc. 4:18; Jo.1:32,33), com Maria em conexão com a encarnação e o nascimento de nosso Senhor (Lc1:35), para com certos discípulos (Lc.2:25 – Simão; At.10:44,45; 11:15 – a casa de Cornélio; At.19:6 – os discípulos em Éfeso) e os crentes generalizadamente (Lc.24:49; At.1:8; 2:17; 1Pd.4:14). Com base em Lc.4:18, alguns entendem que a expressão diz respeito à unção para um serviço especial prestado a Deus, como também com a vinda original e habitação do Espírito Santo para e no cristão individualmente.
8) Pecados contra o Espírito, cometidos pelos incrédulos, são: blasfemar (Mt.12;31), resistir (At.7:51) e insultar (HB.10:29, "ultrajou"). Os pecados do cristão contra o Espírito são: entristece-Lo dando abrigo ao mal na vida ou no coração (Ef.4:30,31) e apaga-lo pela desobediência (1Ts. 5:19). A atitude certa para com o Espírito é a submissão, dando-lhe amplos poderes na vida e no serviço e o constante desejo de abandonar tudo o que o entristeça ou impeça o Seu poder (Ef.4:31).
9) Os símbolos do Espírito são: a) azeite (óleo) (Jo.3:34; Hb.1:9); b) água (Jo.7:38,39). c) vento (Jo.3:8; At.2:2); d) fogo (At.2:3); e) Pomba (Mt.3:16); f) selo (Ef.1:13; 4:30); e g) um penhor (Ef. 1:14).
V.8- Fiel é a palavra. Esta é uma das observações dignas de nota das Pastorais (1Tm.1:15; 3:1; 4:9; 2Tm.2:11, ver com.).
Além de enfatizar bastante a declaração doutrinária que acabou de ser enunciada (4-7), também chama a atenção para a declaração sucinta e poderosa da mensagem de toda a epístola que se segue. Faças afirmações confiadamente é um verbo enfático que apenas foi usado em 1Tm.1:7 e aqui. A verdade persuasiva do Evangelho requer paciente repetição. Os que têm crido ... sejam solícitos na prática de boas obras. A graça de Deus, produzindo fé, vem em primeiro lugar: boas obras deveriam vir a seguir; primeiro a raiz depois o fruto.
V.8b,9- Excelentes e proveitosas do versículo 8, constrata com não têm utilidade e são fúteis do versículo 9, onde o apóstolo faz uma lista das coisa que distraem a atenção da verdade. Essas devem ser evitadas, como também os indivíduos que, tendo sido advertidos pela igreja, ainda perversamente se lhes apegam.
Cont..
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