CONTINUAÇÃO MATEUS CAP. 3
V.6- ...”eram batizados”. O rito da imersão, símbolo de purificação e de renovação, era conhecido das religiões antigas e do judaísmo (batismo dos prosélitos e dos essênios). Embora se inspirasse nesses precedentes, o batismo de João distinguia-se por três traços importantes:
tinha o objetivo não ritual, porém moral (3:2,6,8,11; Lc 3:10-14);
não se repetia, o que lhe dava o caráter de iniciação;
finalmente, tinha caráter escatológico, introduzindo o batizado no grupo dos que professavam a espera diligente do Messias, que estava para vir, e que constituíam, por antecipação, sua comunidade (3:2,11; Jo 1:19-34).
“...batizados...” O batismo cristão não é idêntico ao batismo de João porque, ainda que retenha o simbolismo do arrependimento e da purificação (At 22:16, Ef. 5:26) o batismo cristão é realizado em nome de Deus triúno (28:19) e simboliza nossa união com Cristo na sua morte e ressurreição (Rm 6:3-6; 1Co 12:13; Gl 3:27; Cl 2:12)
V.7- Os saduceus. Era uma seita judia que negava a existência dos anjos e outros espíritos, e de quase todos os milagres, especialmente a ressurreição do corpo. Eles foram os racionalistas religiosos daquele tempo (Mc 12:18-23; At. 23:8) e estavam fortemente entrincheirados no Sinédrio e no sacerdócio (At. 4:1,2; 5:17). Saduceus não se identificavam com nenhuma doutrina positiva, mas simplesmente negavam o sobrenatural.
O Professor Skinner dá uma descrição curta e viva de seus aspectos característicos no seguinte parágrafo: “Os saduceus, à primeira vista, não parecem ter sido uma seita religiosa ou um partido político, mas um grupo social. Em questão de número o seu grupo era bem menor que o dos fariseus e pertenciam na maior parte às ricas e poderosas famílias dos sacerdotes que formavam a aristocracia da nação judaica. Os líderes do partido eram os anciãos com cadeiras no conselho, os oficiais militares, os estadistas e oficiais que participavam da administração dos negócios públicos. Jamais tiveram grande influência sobre a massa do povo; como verdadeiros aristocratas, não se incomodavam muito a esse respeito. Sua única ambição era tornarem-se indispensáveis ao príncipe reinante, a fim de poderem conduzir o governo do país de acordo com suas opiniões. No conceito dos saduceus, como acontece com alguns políticos mas modernos, a lei de Deus não se aplica à política. Caso Israel devesse tornar-se grande e próspero, isso se daria através de cofres repletos, exércitos fortes, hábil diplomacia e todos os recursos da arte de governar... Ele consideravam como puro e perigoso fatalismo aguardar a libertação divina simplesmente através da santificação do povo”. Nos Evangelhos e Atos vemos a proeminência dos saduceus no Sinédrio. Durante o ministério público do Senhor os sumos sacerdotes, Anás e seu genro Caifás, eram ambos saduceus. At 5:17 fala do “sumo sacerdote e todos os que estavam com ele, isto é, a seita dos saduceus”. Seu ódio contra Jesus pode ser medido pelo fato de se terem aliados a seus inimigos fariseus a fim de mata-lO. Foram de fato diretamente responsáveis pela sua crucificação (compare Lc 3:2; Jo 11:49; 18:13,14,24; 19:15; Mc 15:11). Todavia, devemos ter o cuidado para não implicar que todos os sacerdotes eram necessariamente “saduceus”. Em Atos 6:7, vemos que “muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé”.
V.7- “...ira vindoura...”. A ira (Nm 11:1) do Dia do Senhor (Am 5:18), que devia inaugurar a era messiânica (cf. Rm 1:18). O Antigo Testamento prometeu a vinda do Senhor em justo julgamento, ( Sl 96:13; Jl 1:15; 2:1,2,31,32; Sf 1:14-18; Zc 2:1,2; Ml 3:2; 4:1). (Ainda a se cumprir.). A ira ou julgamento de Deus é mencionada com freqüência também no N.T. enfatizando quão certa ela é – alguém pode até dizer o quão automaticamente – a ira de Deus deve seguir o pecado, assim como a lei física da gravidade torna certo que a conseqüência automática de pular de um edifício alto, seja a destruição do corpo. A lei moral de Deus sobre o pecado deixa certo que a conseqüência automática de persistir em pecados é a destruição espiritual eterna na ira divina.
V. 8- “...fruto digno de arrependimento...” Atos que indicassem justiça interior, não meramente conformidade exterior. Jesus na casa de Zaqueu (Lc:19:1-9) só falou em salvação,(v.9) depois que Zaqueu disse: v. 8, “Senhor hoje resolvo dar aos pobres metade dos meus bens e se nalguma coisa tenho defraudado alguém o restituo quatro vezes mais.”, (Êx. 22:1).
“...arrependimento.” Arrependimento significa mudança de mente, de modo que os pontos de vista de uma pessoa arrependida, seus valores objetivos e comportamentos são mudados e toda a sua vida é vivida de um modo diferente. Sua mente, seu discernimento, sua vontade, suas afeições, seu comportamento, seu estilo de vida, seus motivos e seus planos, tudo está envolvido nessa mudança. Arrepender-se significa começar a viver uma nova vida.
A chamada ao arrependimento era a convocação fundamental na pregação de João Batista (Mt 3:2), de Jesus (Mt 4:17), dos Doze (Mc 6:12), de Pedro no Pentecostes (At 2:18), de Paulo aos gentios (At 17:30: 26:20) e do Cristo glorificado a cinco das sete igrejas da Ásia (Ap 2:5,16,22, 3:3,19). Era parte do resumo feito por Jesus do evangelho que devia ser pregado em todo o mundo (Lc 24:47). Correspondentemente ao constante apelo dos profetas a Israel para que retornassem a Deus, de que se tinham extraviado (p. ex. Jr 23:22; 25:4,5; Zc 1:3-6). O arrependimento é sempre descrito como o caminho para a remissão de pecados e a restauração do favor de Deus, ao passo que a impenitência é o caminho para a ruína (p.ex. 13:1-8).
Sentimentos de remorso, auto-reprovação e tristeza pelo pecado, gerados pelo temor de punição, sem qualquer desejo ou decisão de deixar de pecar, não devem ser confundidos com o arrependimento. Davi expressa o verdadeiro arrependimento no Sl 51, revelando em seu coração o propósito sério de não pecar mais e de viver uma vida justa (Lc 3:8; At 26:20).
Judas por outro lado, se encheu de tristeza e de angustia (27:3), mas não se arrependeu; confirma então que autopunição, depressão ou remorso não é arrependimento.
V.9- Temos por pai a Abraão. Ainda que ser judeu incluísse os privilégios externos da aliança (Rm 9:4,13). Os verdadeiros filhos de Deus o são em virtude do ato de Deus. Só Deus pode aplicar a água que transforma corações de pedra (Ez 36:25,26). Nem um judeu por nascimento, nem um cristão por nascimento podem esperar ser poupados do julgamento, independentemente do fruto que evidencia arrependimento e fé. Jo 8:33-39; Rm 2:28,29; 4:9-12.
Deus pode fazer surgir filhos a Abraão destas pedras. Assim como Ele levantou Isaque no altar de pedra numa ressurreição figurativa. (Hb 11:19).
V.10- é cortada. Exatamente como o reino é iminente, assim o é também o julgamento; a vinda de um envolve a vinda do outro (Mt 7:19). João contudo, ainda não sabia que a tarefa de Jesus não era trazer julgamento, (no primeiro advento), mas sofrê-lo (11:2).
V.11- Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Purificar com fogo descreve o batismo sobrenatural de Deus, contrastado com o símbolo da purificação com água. O fogo do Espírito renova o povo de Deus e consome os ímpios como palha (Is 4:4; Zc 13:9; Ml 3:2,3; 4:1). João apresenta Jesus, como o Senhor que batiza com o Espírito e executa o Juízo Final.
“cujas sandálias não sou digno de levar”. Levar as sandálias de alguém era um ofício humilde, próprio de um escravo.
V.12- Mt 13: 42,50; cf. Is 41:16; Jr 15:7. A imagem é de uma eira, um campo. Isto é, um espaço aberto onde se estendiam os feixes para trilhá-los. Depois, se lançava o trigo ao ar com um garfo, pá ou forcado, para que o vento levasse o miúdo restante da palha.
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