Vs13-17- O. batismo de Jesus.
Narra-se também em Mc 1:9-11; Lc 3:21-22 e Jo 1:31-34. Em todas as três narrativas e em Jo 1:31-34, os fatos que se especificam são a descida do Espírito Santo e a voz do céu. Parece, de Jo 1:31-33, que João não conhecia Jesus, porém Mt 3:14 implica que ele já O conhecia, mesmo por que eles eram parentes Lc 1:36; 39-56.
V.14- João estava relutante em batizar Jesus por reconhecer que ele não necessitava de arrependimento. Para que se cumprisse “toda a justiça”, Jesus tinha de identificar-se com o seu povo, como o que levava os seus pecados (2Co 5:21). Essencialmente, o batismo de João apontava para Jesus, porque só a morte de Jesus sobre a cruz – que Jesus chamou de “batismo” (Lc 12:50) – poderia tirar os pecados. A identificação de Jesus com seu povo incluía seu batismo e morte, sua unção com o Espírito e sua vitória sobre a tentação.
V.15- Toda a Justiça, Em Mateus esta frase se refere basicamente ao cumprimento da vontade de Deus, cf. Mt 5: 6,10,20; 6:33; 21:32.
Justiça. O reino de Deus (seu soberano governo na salvação e julgamento) é definido por sua justiça. Jesus ensina a perfeita justiça que Deus exige (5:20,48). Ele assegura também a justiça de Deus para os pecadores. Seu batismo aponta para a sua morte como um “resgate por muitos” (20:28) e mostra a perfeita obediência na qual ele cumpre toda justiça (Jr 23:5,6). A remissão de pecados e o dom da justiça são recebidos através da fé em Jesus (8:10; 23:23; cf. 21:32). Aqueles a quem falta a justiça de Deus, mas têm fome e sede dessa justiça, serão fartos (5:6; 6:33) Jesus chama os sobrecarregados com o peso da justiça própria para que busquem nele seu descanso (11:28-12:8).
V.16- O Espírito que pairava sobre as águas da primeira criação (Gn 1:2) aparece aqui no prelúdio da nova criação. Ungindo a Jesus para a sua missão messiânica (At 10:38), que de ora em diante há de dirigir (Mt 4:1; Lc 4:14,18; 10:21; Mt 12:18,28).
V.17- O meu Filho amado. Também pode ser entendido como: meu único filho. Em quem me comprazo, ou a quem prefiro. Cf. Gn 22: 2; Sl 2:7; Is. 42:1. O Salmo 2 onde o rei de Israel é qualificado como “filho de Deus”, foi interpretado pelos primeiros cristãos como profecia sobre o Messias na sua qualidade de Rei (cf. também 2Sm 7:14). A passagem de Is. 42 (que faz pensar em Is. 52:13-53:12) fala do servo sofredor do Senhor e também foi interpretada pelos escritores do NT como uma referência ao Messias. Cf. Mt 12:18; 17:5; Mc 9:7; Lc 9:35; 2Pd 1:17.
O Batismo do Senhor
Por que o Senhor foi batizado por João no rio Jordão? Se o batismo de João era “para arrependimento”.
O Jesus sem pecado, não precisava então de submeter-se a ele. Mesmo quando Ele se aproximou do rio, João teve de dizer; “Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (3:14). Todavia, haviam razões para essa imersão em público, que devemos apreciar devidamente.
Primeiro, o Senhor demonstrou desse modo, desde o início de seu ministério público, sua associação com o chamado de João ao povo; e a partir também dessa ocasião, ele repetiu o clamor de João: “arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (3:2; 5:17).
Segundo, Ele coroou assim o ministério de João, dando ao fiel precursor a honra de batizar publicamente o Messias-Rei a quem anunciara com tanta emoção (Jo 1:33,34). Logo depois a voz de João foi silenciada quando ele foi preso (Mt 4:12).
Terceiro, ao submeter-se ao batismo de João Ele mostrou sua humildade ao identificar-se com o remanescente santo de Israel, que vivia piedosamente à espera da chegada do reino. Era “apropriado” que fizesse isso, sendo agora membro da nação que necessitava muito atender ao chamado para o arrependimento; daí seu comentário para João: “porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (3:15).
Quarto, e muito mais profundo, Ele foi batizado numa capacidade representativa, por aqueles a quem viera remir. A partir do momento em que iniciou seu ministério público, Jesus passou a ser o novo Homem representativo, o “Segundo Adão”, o novo Campeão da raça decaída. No mesmo instante, portanto, Ele identificou-se conosco como pecadores, e seu primeiro ato foi significativamente submeter-se, em capacidade vicária, ao batismo “para arrependimento”. Da mesma forma que na genealogia inicial é a pessoa humana de Jesus que está ligada com a descendência messiânica, no batismo e na tentação é novamente a sua humanidade que é ungida e depois tentada. Essa humanidade tem um aspecto representativo e vicário através de todos os atos e experiências do Senhor.
( A igreja nascente depressa se convenceu de que Jesus era sem pecado (Jo 8:46; Hb 4:15). Queria no entanto explicar por quê Jesus havia se submetido ao batismo de João (em que Jesus reconhece uma etapa requerida por Deus, cf. Lc 7:29,30, preparação última da era messiânica, cf. Mt 3:6). De forma concisa Mt 3:15 diz:
a) que, por seu batismo, Jesus satisfazia a justiça salvívica de Deus que preside o plano da salvação,
b) que Ele mesmo era justo agindo assim,
c) que era preciso que Ele se identificasse com os pecadores, (cf. 2 Co 5:21),
d) que Ele preparasse assim o futuro batismo dos cristãos (28:19), apresentando-se como modelo deles (notar o plural nós)).
Vale a pena mencionar também que a voz confirmatória do céu “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo,” coloca o selo de Deus sobre os trinta anos silenciosos e irrepreensíveis que precederam o batismo.
Além disso, no batismo do Jordão a trindade divina é pela primeira vez manifesta objetivamente. O Filho acha-se no Jordão. O Pai fala do céu. O Espírito desce como pomba.
O Local do Batismo de Jesus
O local escolhido por Deus para apresentar o Messias à nação foi o baixo Jordão, no mesmo ponto, ou perto, onde as águas se dividiram para a travessia de Josué, quando da entrada de Israel em Canaã. Aí João Batista se fixou e começou a obra de levar o povo à expectação. Logo todos os olhares convergiram nele (João), indagando se não seria o Messias. Depois, apoiado por uma demonstração lá do céu, declarou que Jesus era o Messias. Aí, logo após, nessa mesma região seguiu-se o primeiro ministério de Jesus. Exerceu também seu último ministério.
Este local nos traz muitas lembranças:
Na direção Leste, nos limites do Vale do Jordão, erguesse o Monte Nebo, onde Moisés tivera um vislumbre da Terra Prometida e ali o Senhor o sepultou. Também, em alguma parte entre o Jordão e o Nebo, carros celestes transportaram Elias para se juntar a Moisés na glória. Oito km ao Oeste, nos limites do vale, ficava Jericó, cujos muros caíram ao som da trombeta de Josué. Logo acima de Jericó nos contrafortes do ribeiro de Querite, os corvos alimentaram Elias. Um pouco acima, no cume da cadeia de montanhas, ficava Betel, onde Abraão erigira um altar a Deus e onde Jacó, vira a escada celeste por onde os anjos subiam e desciam (à qual se reportou Jesus, conversando com Natanael, logo depois da tentação naqueles arredores). Próximo, para o Sul na mesma cadeira montanhosa, fica Jerusalém, a Cidade Santa, cidade de Melquisedeque e Davi. Para o Sul, além do Mar Morto, era a planície onde jaziam as ruínas de Sodoma e Gomorra..
Cont..
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