MATEUS CAP. 1 Continuação.
Finalidade e Propósito.
Mateus começa o seu livro com a genealogia de Jesus para mostrar (ao povo judeu para quem foi escrito), que Ele cumpre todas as exigências estabelecidas pelo A.T.com relação ao Messias – um descendente de Abraão (Gn. 22:18), Jacó (Nm.24:17), Judá (Gn. 49:10), Jessé (Is.11:1), Davi (2Sm. 7:13). As primeiras palavras do livro “Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” sugerem imediatamente ao judeu os dois pactos que contêm promessas do Messias - o davídico e o abraâmico (2Sm 7:8-16; Gn 12:1-3).
V.1- Jesus, Cristo. Não é nome e sobrenome, como dá a entender. Mas Jesus (Yeshua significa Iahweh salva) é o seu nome em hebraico e aramaico, os idiomas que Ele falava. (A palavra Jesus representa o esforço das pessoas que falam português ao tentar pronunciar o nome do Messias como aparece nos manuscritos gregos do N.T., “Iêsous”). (O grego substituiu o aramaico no Oriente Próximo depois da conquista de Alexandre (331-323 a.C., por isso o N.T. foi escrito em grego)).
Cristo (Messias). A palavra grega aqui é “Cristos”, que tem o mesmo significado que a hebraica “mashiach”, a saber, “ungido” ou “aquele sobre o qual foi derramado”. O significado de ser conhecido como “O Ungido” é que tanto os reis quanto os sacerdotes eram investidos de sua autoridade numa cerimônia de unção com óleo de oliva (Ex.29:7; 1Sm. 16:13; 1Rs. 19:16). Assim, inerente ao conceito de “Messias” é a idéia de receber autoridade sacerdotal e real da parte de Deus. O Antigo Testamento promete a vinda do justo Servo do Senhor (IS. 42:1-9), que será um profeta como Moisés (Dt.18:18,19) um sacerdote como Melquisedeque (Sl.110:4) e um rei como Davi, o ungido do Senhor (Is. 55:3-5; Jr. 30:9; Ez. 34:24; Os. 3:5; Zc; 12:8). Mateus revela então que Jesus Cristo é o prometido Rei e Libertador.
Filho de. A palavra hebraica “ben” (“filho”, “filho de”) é comumente usada em três diferentes modos na Bíblia e no Judaísmo:
1- Tanto na Bíblia quanto no judaísmo, um homem é normalmente identificado como um filho de seu pai. Por exemplo, se José Silva filho de Samuel, é chamado para ler um rolo da Tora na sinagoga, ele será anunciado não pelo seu nome mas como José filho de Samuel.
2- “Ben” também pode significar não o filho de fato, mas um descendente mais distante, como era o caso neste versículo: Davi e Abraão eram ancestrais distantes de Jesus.
3- Em terceiro lugar, “ben” pode ser utilizado mais amplamente para significar “tendo as características de”, e isso também se aplica aqui: Jesus tinha as qualidades encontradas tanto em Abraão quanto no rei Davi.
Filho de Davi. Abraão e Davi, são destacados porque têm uma importância única na linhagem do Messias. O termo “filho de Davi” é na verdade, um dos títulos do Messias, tendo como base as profecias do V.T., de que o Messias seria um descente de Davi e se sentaria no trono de Davi para sempre, (At. 13:23).
Filho de Abraão. Este termo é significativo em pelo menos quatro maneiras:
1- Tanto o rei Davi quanto o rei Jesus seguem seus ancestrais até o individuo escolhido por Deus como pai do povo judeu (Gn. 12:1-3).
2- Jesus é a prometida “semente de Abraão” (Gn.22:17,18), explicado por Gl. 3:16).
3- A identidade mística do Messias com o povo judeu, aqui sugerida (2:15), uma vez que todo judeu é um filho de Abraão (3:9).
4- Jesus também tem uma identidade mística com todos aqueles que acreditam nele, sejam judeus ou gentios (Rm 4:1,11,17-20; Gl.3:29).
Vs.3,5,6- Tamar, Raabe, Rute, a esposa de Urias (Bat-sheva) e Maria. Foram mulheres gentias a quem Deus honrou incluindo-as entre os ancestrais registrados de Jesus o Messias – por meio de quem os gentios, teriam também a salvação. Jesus Também honrou as mulheres que o serviam com os seus bens, inserindo no evangelho os seus nomes para serem lembradas (Lc. 8:2,3). Tamar lembra-nos o fracasso de Judá (Gn.38:6-30); Raabe, era uma prostituta (Js c.2); Rute era uma moabita (Rt. 1:4) e por isso sujeita a uma maldição especial (Dt. 23:3-5); Bate-seba, mulher de Urias foi a derrocada de Davi (2Sm. 11 ) Maria cumpre Is. 7:14 (v.23), a mais importante promessa de Gn. 3:15; (Gl. 4:4). Estas cinco mulheres nomeadas na genealogia de Jesus nos lembram que Deus, com freqüência, realiza o inesperado e escolhe o improvável.
V. 16 - José. É Apenas o pai legal de Jesus, mas mesmo assim Jesus tinha o direito ao trono de Davi , por que aos olhos dos antigos, a paternidade legal (por adoção ou levirato, etc.), bastava para conferir todos os direitos hereditários, aqui os da linhagem de Davi.
...da qual... A mudança de linguagem é significativa, enfatiza que Jesus não foi concebido do modo usual. Mas pelo Espírito Santo, (vs 18,20: Lc. 1:27,31,34-38).
...da qual.. no grego é feminino singular, não deixa dúvidas de que Jesus nasceu apenas de Maria, e não de Maria e José. (Esta é a evidência mais forte para o nascimento virginal de Jesus.).
...Cristo. (Cristos significa ungido), é a forma grega do hebraico Messias (Dn. 9:25,26), é o nome oficial de nosso Senhor, como “Jesus” é o Seu nome humano (Lc. 1:31; 2:21). O nome, ou título “Cristo”, liga-o com todas as predições do V.T. (Zc. 12:8 nota) de um Profeta que viria (Dt. 18:15-19), de um Rei (IISm. 7:12,13). Como estes eram tipicamente ungidos com azeite (IRs. 19:15: comp. Ex. 29:7; ISm. 16:13, respectivamente), Jesus foi ungido com o Espírito Santo (Mt. 3:16; Mc. 1:10,11; Lc. 3:21,22; Jo 1:32,33; At 4:24-27; 10:37-40), identificando-o assim oficialmente como o Cristo.
V17- Dez gerações mais tarde... Pode haver significados nessas genealogias que não são notados à primeira vista. Por exemplo:
Vemos que entre Adão e Cristo existem exatamente sessenta gerações. Essas sessenta parecem divididas em seis grupos de dez, cada décimo homem sendo de grande importância.
A partir de Adão o primeiro décimo homem é Noé. Nos dias dele, Deus enviou juízo destruidor sobre toda a raça humana e aparentemente Satanás conseguira abortar a linha messiânica; mas essa linhagem é preservada no justo Noé, demonstrando a indestrutibilidade do propósito divino.
O décimo homem seguinte é Abraão, com quem Deus entrou em aliança incondicional, para que de sua descendência viesse o Messias e em quem todas as famílias da terra seriam abençoadas.
O próximo décimo homem é Boaz, que se casou com a formosa moabita Rute; e através de Rute uma gentia, todos os povos gentios são incorporados representativamente na esperança messiânica.
Uzias é o décimo homem seguinte – pois a linha messiânica tornou-se agora a linhagem real de Judá, e o Cristo que virá será o Rei dos Reis. Na verdade, foi “o ano da morte do rei Uzias” que Isaías, o maior dos profetas de Israel e Messiânico “viu o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono”, o Messias (Is.6), sentado no trono que está acima de todos os tronos (Jo. 12:41nos diz que Isaías viu Cristo.).
O décimo homem depois dele é Zorobabel, um dos personagens monumentais do Velho Testamento; o príncipe judeu que levou o remanescente judeu de volta à Judéia depois do exílio na Babilônia; Zorobabel é um tipo de Cristo, como mostra Ageu (2:20-23), sendo o Líder supremo de Israel, levando-o do longo exílio à bênção Milenar.
Dez gerações, mais tarde, lemos: “José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o CRISTO”. Cada décimo homem é típico, profético, uma antecipação: Cristo completa todos.
Não devemos “ler” nisto mais do que existe realmente no conteúdo em questão, embora sejamos naturalmente tentados a refletir que dez é o número da inteireza, e seis o número do homem pecador. Seis ciclos completos de dez: vindo então Cristo, que é o centro de todas as gerações e o Salvador dos pecadores. A linha termina nele. Está de perfeitamente de acordo, que Ele que é o grande SETE de Deus se seguisse imediatamente a esses seis grupos de dez completados, introduzindo a nova geração espiritual, e o reino que, embora presentemente retido, irá coroar os seis mil anos precedentes da história humana, com um sétimo grande dia de mil anos, o Milênio do império mundial do Messias, com seu ciclo exato de tempo de cem vezes (dez vezes dez) dez anos de paz e glória.
V. 17- Como nas genealogias do V. T. (Gn. 5; 1Cr. 1-9), certas gerações são omitidas aqui a fim de fazer um arranjo uniforme. Comp. 1Cr 3:11,12; Esdras 7:1-5. A lista talvez fosse colocada nesta forma com propósitos de memorização. A memorização é facilitada pelo fato de que cara tríade de nomes termina numa era importante da história de Israel, isto é, o reinado de Davi, o cativeiro da Babilônia e o advento do Messias prometido.
Vs. 18-25 – Sobre a concepção e o nascimento de Jesus compare com Lc. 1:26-38, 2:1-7; Jo. 1: 1-2:14.
Cont..
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